
Havia em uma cidade um jovem, tinha aproximadamente uma década e meia de existência. Este jovem tinha um problema, toda vez que via um jardim, roubava algumas flores, sempre, não havia hora nem lugar, onde ele visse flores bonitas ele as pegava, podia ser voltando da escola, indo para o cinema, visitando amigos, velório de algum conhecido, não interessava onde fosse e nem o ocasião, se houvesse flores bonitas ele as pegava e levava para sua casa.
Certa tarde, enquanto retornava pra casa, decidiu caminhar um pouco mais e tomar um caminho diferente pra casa. Enquanto caminhava, deparou-se com uma casa simples, porém com um grande e belo jardim na entrada da casa, haviam centenas de flores, rosas, margaridas, azaléias, amor perfeitos, lírios, enfim, uma infinidade de flores. Logo o jovem olhou para os lados, examinou o ambiente, vigiou para ver se ninguém estava olhando e se lançou por cima do pequeno portão e logo colheu as 3 flores mais bela que viu e logo pulou de volta para a rua e foi para casa. A dona da casa era uma senhora de idade, já viúva, que morava sozinha, assim quando ela viu o jovem saltando o seu portão se assustou, pensando que era um ladrão, porém, quando percebeu que o ladrão só tinha a intenção de roubar flores, ficou aliviada e achou até que engraçada a cena e a intenção do ladrão.
No dia seguinte, ao final da tarde, o jovem tinha a intenção de voltar àquele jardim e colher outras espécies de flores, chegando à casa, repetiu o mesmo esquema de vigia e saltou, colheu mais três tipos de flores e saltou para fora. A senhora assistia tudo pela janela, decidiu então que no dia seguinte, durante a tarde ficaria do lado de fora esperando o ladrão, quem sabe o ladrão viria falar com ela.
No dia seguinte a senhora fez como o planejado, sentou-se no alpendre e esperou o retorno do ladrão. No fim da tarde o jovem aparece descendo a rua, a senhora olha nos olhos do jovem e vice e versa e por alguns instantes fitam seus olhares, o jovem pensa: "Nossa, será que ela descobriu que sou eu que estou roubando suas flores?" então o jovem passa direto e vai para casa sem levar flores alguma.
A senhora fica triste por o jovem ladrão ter passado direto e decide então elaborar um plano para que na tarde seguinte ele parasse ali.
Na tarde seguinte, a senhora colheu três diferentes flores das que o jovem já havia pego e as colocou sobre uma mureta ao lado do portão. Como de se esperar o jovem desceu a rua, olhou as flores, parou e perguntou para a senhora: "O que há de errado com estas flores? Porque você está jogando-as fora?" a senhora então lhe respondeu: "Não meu querido, não estou as jogando fora, estou dando-as para você..." O jovem olhou para a senhora e sorriu, a senhora foi até o portão e os dois começaram a conversar e compartilhar seus amores pelas flores... Ao fim da conversa a senhora pergunta ao Jovem: "Por que rouba flores?" então o jovem sorriu e respondeu: "Eu acho as flores lindas e sempre me pego admirado pela suas belezas, desde então procuro a flor perfeita, a mais bela.", A senhora sorriu e disse que se ele quisesse possuir a flor mais perfeita, deveria então voltar lá na tarde seguinte.
Assim o jovem o fez, na tarde seguinte voltou à casa da senhora, chegando lá ela o convidou a entrar e o chamou para o fundo da casa e disse que antes de lhe dar a flor perfeita iria ensina-lo algumas coisas. O jovem concordou e a acompanhou. Ela pegou uma pá e começou a revirar um pouco de terra e o ensinou como ele devia adubar e preparar um solo, ensinou como cultivar uma planta, ensinou quanto de sol e de agua uma planta precisa e os horários que deveria ser regadas. Depois de uma aula de jardinagem, a senhora lhe deu algumas sementes e lhe disse: "Aqui estão as flores mais perfeitas...", o jovem sorriu e perguntou que espécie eram aquelas sementes. São margaridas, meu querido, Disse a senhora. O jovem um pouco desapontado retrucou: "Mas margaridas são tão simples, tão comuns tão sem graça...". Confia em mim, disse a senhora.
O jovem voltou para casa um pouco transtornado, ao chegar em casa, trancou-se no quarto e deixou as sementes em qualquer canto, deitou-se em sua cama e ficou resmungando a respeito do que a velha disse.
Ao amanhecer do dia o jovem resolveu mesmo que indignado plantar aquelas sementes, fez como a senhora havia ensinado, cuidou da terra, adubou, preparou as sementes e as plantou. Todos os dias o jovem seguia a risca o que a senhora havia lhe instruído, sempre que estava em casa olhava a terra e esperava atenciosamente algo acontecer. A senhora na sua casa, pensava o que o jovem estaria fazendo e se realmente ele iria fazer o que havia ensinado-o, já fazia algum tempo desde que lhe entregara a semente e ele nunca mais voltara. Após se passar 3 meses o jovem voltou a casa da senhora, quando esta o viu admirou-se ao ver que ele trazia consigo uma margarida nas mãos, sorriu e o convidou a entrar. Lá dentro o jovem ergueu a margarida e entregou a senhora dizendo: "Essa eh a mais perfeita flor que já colhi...", a senhora sorriu agradeceu e disse: "Mas você uma vez me disse que margaridas são tão medíocres, por que está é a flor mais perfeita que você já colheu?". "É simples, porque todos os dias me dediquei a ela, cuidei, alimentei e zelei de seus caprichos e quanto mais cuidei, mais zelo e carinho tive por ela." disse o jovem. Sorrindo a senhora terminou: "Agora você entende onde se encontra a verdadeira beleza e perfeição?"