
Por que você se senta no céu e brinca de Deus?
Tentar manipular o sonho, a destruição, o desespero e
a morte como meros brinquedos? Não tens respeito pelos
eternos? Ainda nem sabe o que é a vida, tens uma breve
passagem pelo mundo dos mortos e se acha conhecedora
dos segredos do universo... Corações e sentimentos não
são como suas bonecas... Já tomei chá com o sonho, já bebi
com a destruição e flertei a morte, mas nunca os desrespeitei,
pois sei onde é meu lugar, não quero perder meus sonhos,
não quero ter minha vida destruida, não quero ser amaldiçoado
pelo desespero e muito menos encarar o olhos de vingança da morte...
Pobre criança, não sabe onde vai parar, nem ao menos sabe onde
começou, a sua história não será eterna, não haverão cânticos sobre
seu nome e ninguém fara poemas sobre ti, a não ser essa mera carta
de aviso, lembre-se com cuidado onde quer chegar, nem a imortalidade
é eterna, pois a morte buscara o destino, e, quando, não houver
mais vida, ela mesmo sucumbirá a sua solidão e se devorará, não queime
tantas pontes, pois talvez precisará delas novamente e quando isso
acontecer pobre criança, tenha certeza, tempestades virão e aguas
te arrastarão como um pequeno barquinho de papel, naufragando em uma
vasta extensão como o oceano... Teu sorriso, teu charme e tuas
lágrimas, de nada, com certeza, de nada mesmo adiantarão, pois você
sucumbirá aos teu maiores medos, singularmente quando em um baque
como uma pedrada na nuca, perceberá que então você é tão simples
quanto um pequeno marionete, tão pequeno quanto teu minusculo e frio
coração... Pequena criança, faça de tua jornada não tão breve, porém
faça-a memorável, para que no fim, não seja uma intrusa indesejada na eternidade, seja uma doce convidada, para sentar-se alegremente ao lado do sonho e da falicidade...