sábado, 29 de janeiro de 2011

ENTÃO, QUEM ÉS TU?




Então, fizeste dos iguais o único e especial
Esqueceste dos outros para viver por somente um
e transformaste o tudo em nada e o nada em tudo,
com a sinceridade da mais profunda e tola sabedoria,
fizeste de uma alma mundana, o mais puro ser divino
e fizeste do perdão, seu maior alicerce.
Escolhestes viver sem jamais olhar teu reflexo
e esquecer de como era sua existência, pois tens
a necessidade de viver em outro, por outro.
Quem és tu que fizeste dos ridículos hérois e dos hérois
fizeste-os ridículos? Quem és tu que fizeste brotar um
sorriso de um rosto esbofeteado? Quem és tu que fazes
do prazer uma mera tolice e faz de um mero beijo
eternamente especial, eternamente necessário?
Quem és tu que cravas sorrisos em corações como uma
pintura tão cobiçada? Então? me dizes porque fazes chorar
e sorrir ao mesmo tempo? Fazes da miséria a riqueza, e da
riqueza a pobreza? Não entendo, como tens tantas faces e
ao mesmo tempo tens somente uma? Qual sua identidade que
buscamos durante todo o percurso natural e muitas vezes
chegamos ao fim sem descobrir? Fazendo todo o percurso
parecer inútil, ridículo, sem sentido? Novamente me pergunto,
quem és tu alavancador dos mais belos e ridículos poemas?
O que te faz tão eterno? Tão clássico? Tão ultrapassado?
Te procuramos em olhos, bocas, sorrisos, corpos, mas te
encontramos apenas ao acaso, em um esbarrão, ou em um breve e
doce momento, tentamos te capturar, mas é em vão, então esquecemos
dos desejos da alma e deixamos nossas duvidas pra trás, então,
em outro momento, sentimos dor, olhamos pra trás e nos dilaceramos
ao perceber que ali estava, conosco, junto todo o tempo, mas
não nos permitimos te olhar e te sentir e nos afogamos no
arrependimento. Quem és tu afinal? Fazes dos divinos tão miseráveis?
Quem és tu afinal? Fazes de nós tão miseráveis, mas fazes de nós,
tão divinos...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

ENTÃO A BARRAGEM ROMPEU




A fumaça entre meus dedos
dança lentamente,
ao ritimo ditado pelo meu lamento.
As horas não passam e a solidão
me seduz com seus olhos profundos,
agarrada EM minha alma como uma namorada
ciumenta.
A mente não sabe mais o que é real,
o que é a mentira, tantas vozes iguais,
sorrisos cheio de dentes falsos.
Há um tumor no peito, tão negro e ferido
quanto uma alma amargurada.
Estou em três lugares diferentes, mas ainda sim
sentado na mesma cadeira com a mesma fumaça nos
dedos.
A barragem rompeu, não tem pra onde correr,
é só sentar e esperar minha casa se afogar
junto com meus olhos, sem brilho, sem esperança.
Sequelas sempre me levaram ao mesmo lugar, ao mesmo
tempo e a mesma dor consumida pelo orgulho perdido.
Atacado e roubado pelas costas, sem reagir, apenas
o chão se aproximando do meu rosto.
Não quero justiça, não quero perdoar, não quero vingança,
o esquecimento é o caminho mais fácil e mais difícil.
Não queria ter 400 anos, desejo a ignorância, é tão
mais simples ser a massa, é tão mais simples ser controlado,
é tão mais simples não esperar nada de ninguém.
Mas não adianta, a barragem já rompeu e me afogo.
Ainda estou sentado na mesma cadeira, com a mesma fumaça
entre os dedos, mas já revivi dois milênios de vida
e sempre chego ao mesmo lugar, sempre indagado pelas mesmas
questões, com respostas simples, mas sem aceitação, sem perdão.
É fácil enxergar o futuro, estar preparado para as certezas
incertas, mas viver estes futuros sempre me acertam com força
e intensidade desproporcional e a barragem rompe, levando
embora minha divindade e me deixando mais humano, mais sábio,
mais quebrado, mais ferido, mais sequelado e aos poucos,
meu anjo se torna mais demônio e quando isso acontecer,
pra onde vocês vão nadar? Pois a barragem já cedeu e não haverão
montanhas suficientes pra todas vocês.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Anjo Negro


Minha voz é o trovão que ecoa na tempestade
devastando corações tenebrosos e covardes
Meus olhos faiscam os relampagos que te queimam
pela vergonha de me olhar.
Minhas asas trazem os tornados que destroem
toda esperança e desejos que tens, mas,
não merece tê-los, sua dor será meu alimento
e seu medo minha sobre mesa...
Não tenha medo, tenha pavor, é chegada a hora
da sua sentença, não sou o juiz, mas sou o carrasco
que carrega sua alma podre para a dor eterna.
Sorria enquanto te carrego, a dor que lhe trago é
orgasmo perto da dor que sentirá, do medo, do pânico,
nada descritível. Quanto mais triste sua pena, maior minha
alegria de enxergar você se contorcendo...
Não adianta fugir, a sombra de minhas asas
já te envolveu, você é só um rato fugindo dentro de uma gaiola...