terça-feira, 30 de junho de 2009

CANÇÃO DO ABANDONO




Desperdiçastes tuas palavras ao vento
Fizerdes anular o seu valor
Declarando falsamente o teu amor

Como podes amar tantas
Usastes os mesmos dizeres à suas concubinas
E o poema que me fascina

Perdestes o meu coração
E ao encontrá-lo achei-o desfarelado
Desgastado em mil pedaços

Onde estava sua gloriosa honra?
Me feristes pelas costas
Pra que tais lágrimas mentirosas que choras?

Me pedistes para dar-lhe meu amor
Pedi muito ao querer o mesmo de ti?
Por que nesse precipicio só eu caí?

Agora sozinha estou com minhas lágrimas
Sei que muito tempo vou sofrer
Sei que por tempos, ainda vou te querer

segunda-feira, 29 de junho de 2009

PLEONASMO

Velhos sabios, contavam a mesma historia
akelas flores, na juventude das carolas
Velhos etivadores e suas filosofias
Mulheres, vodka, mares e brigas

Detalhes jamais se reprisam
só os contextos que nunca mudam
somos diferentes dos nossos pais
apenas atos são todos iguais

Diferentes nuvens no mesmo fundo azul
tantos sonhos sempre do mesmo baú
muitos prazeres em uma única mulher
lindos poemas e sempre a mesma ideia

Homens diferentes objetivos em comum
varias religiões, mas dizem que Deus é um
tantas cores e só uma visão
tantas musicas e só uma interpretação

Velhos sábios, na juventude das carolas
aquelas flores, contavam a mesma historia
Velhos estivadores, mares e brigas
Mulheres e suas filosofias

Detalhes que nunca mudam
Só contextos jamais se reprisam
Somos diferentes, somos todos iguais
Apenas atos dos nossos pais

Diferentes nuvens do mesmo baú
Tantos sonhos do mesmo fundo azul
Muitos prazeres e sempre a mesma ideia
Lindos poemas pra uma única mulher

Homens diferentes dizem que Deus é um
Varias religiões, objetivos em comum
Tantas cores e só uma interpretação
Tantas musicas com uma mesma visão

domingo, 28 de junho de 2009

O PASSAGEIRO SEM BAGAGEM


Um homem vestindo calças e camisas sociais de cor preta e usando óculos escuros entrou na plataforma de embarque do metrô, estava sozinho, cumprimentou rapidamente algumas pessoas que ali se despediam de um ente querido, tinha pressa, porém não iria pegar o metrô, dirigiu-se até a porta de embarque e ali parou diante do trem, dois homens vestindo roupas brancas que o acompanhavam entraram no metrô e tiraram um homem dali de dentro, o homem não entendia bem o que se passava, os homens vestindo branco o levaram para perto de seus parentes, os seguranças do trem saíram correndo para buscar o passageiro que havia se retirado, o homem de roupas pretas e óculos escuros lutou contra os seguranças e os derrotou, no entanto, saiu gravemente ferido e sangrando, se dirigiu ao filho do ex passageiro e disse: "Eu não existo, não tenho identidade...", saiu da estação com os homens de branco o apoiando e caminhando com dificuldades devido aos ferimentos. O ex passageiro estava de olhos fechados, quando abriu os olhos, percebeu que estava deitado e cercado por pessoas chorando, percebeu então que estava deitado em uma cama de madeira que possuía tampa, todos a sua volta o olhavam assustados, sorriam, porém via-se que antes haviam chorado e ele não entendia o que havia acontecido, mas para os outros, era um milagre...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

ETERNIDADE


Pais e filhos, filhos, pais
pais e filhos, avôs e netos
o continuo passar do tempo
imortalizado pelos genes eternos
assim se imortaliza uma memória
ou melhor
até mesmo um ideal
um caráter
ou um grande homem
mas será que realmente é eterno?
Será que viverei pra sempre?
Será que minha memoria será lembrada?
Mas nada é eterno, nem o mundo
nem memorias
e muito menos a humanidade.
Será que existe algo eterno?
Talvez o nada seja eterno.
Dizem que o amor é eterno
será eterno?
Posso amar pra sempre?
Ou alguém me amara pra sempre?
Mas não sou eterno?
O amor me torna eterno?

terça-feira, 23 de junho de 2009

O LADRÃO DE FLORES


Havia em uma cidade um jovem, tinha aproximadamente uma década e meia de existência. Este jovem tinha um problema, toda vez que via um jardim, roubava algumas flores, sempre, não havia hora nem lugar, onde ele visse flores bonitas ele as pegava, podia ser voltando da escola, indo para o cinema, visitando amigos, velório de algum conhecido, não interessava onde fosse e nem o ocasião, se houvesse flores bonitas ele as pegava e levava para sua casa.
Certa tarde, enquanto retornava pra casa, decidiu caminhar um pouco mais e tomar um caminho diferente pra casa. Enquanto caminhava, deparou-se com uma casa simples, porém com um grande e belo jardim na entrada da casa, haviam centenas de flores, rosas, margaridas, azaléias, amor perfeitos, lírios, enfim, uma infinidade de flores. Logo o jovem olhou para os lados, examinou o ambiente, vigiou para ver se ninguém estava olhando e se lançou por cima do pequeno portão e logo colheu as 3 flores mais bela que viu e logo pulou de volta para a rua e foi para casa. A dona da casa era uma senhora de idade, já viúva, que morava sozinha, assim quando ela viu o jovem saltando o seu portão se assustou, pensando que era um ladrão, porém, quando percebeu que o ladrão só tinha a intenção de roubar flores, ficou aliviada e achou até que engraçada a cena e a intenção do ladrão.
No dia seguinte, ao final da tarde, o jovem tinha a intenção de voltar àquele jardim e colher outras espécies de flores, chegando à casa, repetiu o mesmo esquema de vigia e saltou, colheu mais três tipos de flores e saltou para fora. A senhora assistia tudo pela janela, decidiu então que no dia seguinte, durante a tarde ficaria do lado de fora esperando o ladrão, quem sabe o ladrão viria falar com ela.
No dia seguinte a senhora fez como o planejado, sentou-se no alpendre e esperou o retorno do ladrão. No fim da tarde o jovem aparece descendo a rua, a senhora olha nos olhos do jovem e vice e versa e por alguns instantes fitam seus olhares, o jovem pensa: "Nossa, será que ela descobriu que sou eu que estou roubando suas flores?" então o jovem passa direto e vai para casa sem levar flores alguma.
A senhora fica triste por o jovem ladrão ter passado direto e decide então elaborar um plano para que na tarde seguinte ele parasse ali.
Na tarde seguinte, a senhora colheu três diferentes flores das que o jovem já havia pego e as colocou sobre uma mureta ao lado do portão. Como de se esperar o jovem desceu a rua, olhou as flores, parou e perguntou para a senhora: "O que há de errado com estas flores? Porque você está jogando-as fora?" a senhora então lhe respondeu: "Não meu querido, não estou as jogando fora, estou dando-as para você..." O jovem olhou para a senhora e sorriu, a senhora foi até o portão e os dois começaram a conversar e compartilhar seus amores pelas flores... Ao fim da conversa a senhora pergunta ao Jovem: "Por que rouba flores?" então o jovem sorriu e respondeu: "Eu acho as flores lindas e sempre me pego admirado pela suas belezas, desde então procuro a flor perfeita, a mais bela.", A senhora sorriu e disse que se ele quisesse possuir a flor mais perfeita, deveria então voltar lá na tarde seguinte.
Assim o jovem o fez, na tarde seguinte voltou à casa da senhora, chegando lá ela o convidou a entrar e o chamou para o fundo da casa e disse que antes de lhe dar a flor perfeita iria ensina-lo algumas coisas. O jovem concordou e a acompanhou. Ela pegou uma pá e começou a revirar um pouco de terra e o ensinou como ele devia adubar e preparar um solo, ensinou como cultivar uma planta, ensinou quanto de sol e de agua uma planta precisa e os horários que deveria ser regadas. Depois de uma aula de jardinagem, a senhora lhe deu algumas sementes e lhe disse: "Aqui estão as flores mais perfeitas...", o jovem sorriu e perguntou que espécie eram aquelas sementes. São margaridas, meu querido, Disse a senhora. O jovem um pouco desapontado retrucou: "Mas margaridas são tão simples, tão comuns tão sem graça...". Confia em mim, disse a senhora.
O jovem voltou para casa um pouco transtornado, ao chegar em casa, trancou-se no quarto e deixou as sementes em qualquer canto, deitou-se em sua cama e ficou resmungando a respeito do que a velha disse.
Ao amanhecer do dia o jovem resolveu mesmo que indignado plantar aquelas sementes, fez como a senhora havia ensinado, cuidou da terra, adubou, preparou as sementes e as plantou. Todos os dias o jovem seguia a risca o que a senhora havia lhe instruído, sempre que estava em casa olhava a terra e esperava atenciosamente algo acontecer. A senhora na sua casa, pensava o que o jovem estaria fazendo e se realmente ele iria fazer o que havia ensinado-o, já fazia algum tempo desde que lhe entregara a semente e ele nunca mais voltara. Após se passar 3 meses o jovem voltou a casa da senhora, quando esta o viu admirou-se ao ver que ele trazia consigo uma margarida nas mãos, sorriu e o convidou a entrar. Lá dentro o jovem ergueu a margarida e entregou a senhora dizendo: "Essa eh a mais perfeita flor que já colhi...", a senhora sorriu agradeceu e disse: "Mas você uma vez me disse que margaridas são tão medíocres, por que está é a flor mais perfeita que você já colheu?". "É simples, porque todos os dias me dediquei a ela, cuidei, alimentei e zelei de seus caprichos e quanto mais cuidei, mais zelo e carinho tive por ela." disse o jovem. Sorrindo a senhora terminou: "Agora você entende onde se encontra a verdadeira beleza e perfeição?"

domingo, 21 de junho de 2009

MEMÓRIAS DE UM ANJO


Morri, me levantei, retornei para terminar o que nem havia sido começado, entre vermes e humanos caminhei, fiz de minha ira e nojo instrumentos para meu trabalho, o que havia sido quando humano, praticamente tornastes nulo, diante tantas perfeições enxerguei no homem as imperfeições, olhei dentro dos olhos e vi medo, pânico, infidelidade, covardia, dependência, raiva e ódio. Senti desprezo ao ver meu sangue, suor e trabalho serem desperdiçados com raça tão desprezível. A vida daqueles que já foram um dia meus irmãos se esvaia em minha espada para que os filhos de Deus pudessem existir, percebi, que assim como o amor divino, minha existência era desperdiçada, assim como pérolas aos porcos.
Sou mais um anjo caído, enviado para proteger esta raça tão miserável. Até quando serei capaz de seguir ordens e ultrapassar meu amor própio?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

CRÔNICA DA POLÍTICA BRASILEIRA


Havia um mundo habitado por homens, cães, felinos e ratos, cada qual
com sua característica peculiar, os homens eram maioria, trabalhadores,
honestos e dignos. Os felinos eram sustentados pelos humanos, eles vigiavam
as casas e cuidava para q problemas nas casas dos humanos e da sociedade
fosse resolvidos, mas em maioria, tinham uma vida bastante farta, trabalhavam
pouco e comiam muito. Haviam os cães, esses eram selvagens, não se misturavam
nem com os humanos nem com os felinos, invadiam casas, matavam e tomavam posse
do q restasse ou sobrevivesse em seus ataques, era uma raça q os felinos
repudiavam, porém alguns tinham medo, outros os enfrentavam frente a frente.
Por fim, haviam os ratos, estes eram famosos por se esgueirar, evitavam ao máximo
os felinos, os ratos roubavam alimentos e até mesmo outros bens tanto dos humanos
quanto dos felinos, mas na maioria das vezes roubavam dos felinos o q os deixavam
extremamente furiosos, os felinos atacavam os ratos com a fúria dos cães selvagens, muito mais do que quando eles roubavam dos humanos (as vezes até os felinos roubavam um pouco de comida a mais dos humanos q os alimentavam), era tanta sede de vingança que até os humanos q se incomodavam com os ratos muitas vezes passavam a sentir pena dos tais, mas nada podiam fazer, pois apesar de tudo
e por mais estranho q parecesse, os felinos eram os verdadeiros donos desse mundo
onde decidiam por meios estratégicos e se utilizando de armas passionais pra dominar os humanos, esse mundo, não é nada mais nada menos do que um lugar chamado Brasil... Dominados pelos pseudos cuidados dos felinos. A lei desse mundo se fazia a vontade felina e não humana...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

MAIS UMA NOITE NA DITABRANDA



Era tarde, a lua cumprira metade do seu trajeto, não haviam estrelas
no céu, provavelmente haviam sido roubadas e colocadas nos ombros dos
casacos verdes, estas estrelas vigiavam a noite, em avenidas, praças,
ruas, vielas e becos.
Eu caminhava na penumbra evitando que olhos me farejassem, caminhava com cautela afim de evitar ruídos, pois as paredes tinham olhos que vigiavam os
desprovidos de sorte.
Subitamente e em silêncio as cores modificam o clima da noite, o vermelho e
o azul esquentam meu sangue e esfriam ainda mais a noite, com a barca surgindo
em popa, me lanço em disparada ao beco sem exitar vigiar a retaguarda, na
esperança de não ser visto, me abaixo buscando exílio atrás de uma lata de lixo.
O lixo fede podridão, o beco fede podridão, aliás, esta era fede podridão.
Enquanto isso, a veraneio vai se distanciando e indo embora, porém, infelizmente
ainda há no beco aquele dilacerante odor.
Ergo-me e percebo o panorama daquele lugar, me deparo com um enorme galpão,
há algumas luzes no seu interior, ainda estou em catarse. O céu começa a chorar, um leve e
suave pranto, isso me reenergiza e corro para a entrada do galpão, entro vagarosamente e percebo que o galpão realmente não está vazio, ouço
burburinhos. O galpão possui diversas galerias, empilhamentos de caixas e diversas
prateleiras, criando assim corredores diversos, caminho, escolhendo aleatoriamente
o caminho q devo seguir, passos cautelosos, sigilosos. Vejo uma porta, aproximo
com certa exitação e aguço minha audição para saber o que há, ouço vozes de homens
rindo, gargalhando, ouço sons de pancadas e mais ao fundo deste show, quase que abafado um choro feminino. A curiosidade me dilacera, tento espiar pela fechadura,
aos poucos as imagens vão se formando e vejo a cena mais horripilante, demônios
mascarados de homens estuprando uma mulher, enquanto seus orifícios eram violados, socos acertavam seu rosto e sua cabeça, apagavam bitucas de cigarro em suas costas, ela tentava reagir, tentava sair, mas sua força de nada servia. Gozavam
nela e gozavam dela, em uma ultima tentativa, ela conseguiu morder um deles, o
mesmo virou-se com fúria e começou a soca-la, foram tantos golpes que nem pude contar, o som da mão se chocando brutalmente com o rosto terrível, pavoroso, um som seco e único, ecoava em minha mente como uma vitrola estragada, pensei em
ajuda-la, mas meu medo petrificara minhas pernas e ali fiquei estático.
Quando o animal terminou seu ataque, o comparsa tocou o pescoço dela e disse:
"Já era, foi passear na casa de Hades." Senti um calafrio na espinha, incisivo,
gélido. O animal sorriu, puxou suas pernas e começou a violentar os restos
daquela mulher. Desesperado, me levantei e corri o mais depressa possível evitando
fazer qualquer barulho, até encontrar alguma saída, logo a encontrei, me escondi
atrás de uma caixa, vi dezenas de camburões descarregando pessoas, a socos e bicudas, homens e mulheres, todos algemados, machucados e vestindo roupas vermelhas.
Não resisti, diante a realidade chorei, tive medo do futuro e desejei a morte,
para nunca mais ter que assistir à outra cena cotidiana como aquela.