
Então, fizeste dos iguais o único e especial
Esqueceste dos outros para viver por somente um
e transformaste o tudo em nada e o nada em tudo,
com a sinceridade da mais profunda e tola sabedoria,
fizeste de uma alma mundana, o mais puro ser divino
e fizeste do perdão, seu maior alicerce.
Escolhestes viver sem jamais olhar teu reflexo
e esquecer de como era sua existência, pois tens
a necessidade de viver em outro, por outro.
Quem és tu que fizeste dos ridículos hérois e dos hérois
fizeste-os ridículos? Quem és tu que fizeste brotar um
sorriso de um rosto esbofeteado? Quem és tu que fazes
do prazer uma mera tolice e faz de um mero beijo
eternamente especial, eternamente necessário?
Quem és tu que cravas sorrisos em corações como uma
pintura tão cobiçada? Então? me dizes porque fazes chorar
e sorrir ao mesmo tempo? Fazes da miséria a riqueza, e da
riqueza a pobreza? Não entendo, como tens tantas faces e
ao mesmo tempo tens somente uma? Qual sua identidade que
buscamos durante todo o percurso natural e muitas vezes
chegamos ao fim sem descobrir? Fazendo todo o percurso
parecer inútil, ridículo, sem sentido? Novamente me pergunto,
quem és tu alavancador dos mais belos e ridículos poemas?
O que te faz tão eterno? Tão clássico? Tão ultrapassado?
Te procuramos em olhos, bocas, sorrisos, corpos, mas te
encontramos apenas ao acaso, em um esbarrão, ou em um breve e
doce momento, tentamos te capturar, mas é em vão, então esquecemos
dos desejos da alma e deixamos nossas duvidas pra trás, então,
em outro momento, sentimos dor, olhamos pra trás e nos dilaceramos
ao perceber que ali estava, conosco, junto todo o tempo, mas
não nos permitimos te olhar e te sentir e nos afogamos no
arrependimento. Quem és tu afinal? Fazes dos divinos tão miseráveis?
Quem és tu afinal? Fazes de nós tão miseráveis, mas fazes de nós,
tão divinos...