
Eu sinto um vento gélido soprando sobre meu rosto,
a noite me guia por caminhos que nem sei onde vão me levar,
caminho sobre meus sonhos, meu passado, meus pensamentos e
não tenho certeza se tenho futuro, porém caminho.
A fina garoa traz o cheiro de asfalto molhado, como eu gosto
desse cheiro, o céu está tão escuro, não se vê nuvens, nem
a lua. Me sinto familiarizado, o cenário até se parece com
meu coração, talvez esteja mesmo caminhando no meu coração,
procurando alguém? Procurando eu mesmo? Procurando algum norte?
Tanto faz, filosofar é só uma distração, nem me importo se de fato
busco algo, acho que me tornei uma alma perdida, um andarilho, apenas
sobrevivendo. Tanto faz que a brisa me leve que as preocupações não me
corroam, sou livre? Ou sou escravo da solidão? Novamente filosofando.
Bem ali há um beco, geralmente ponto de encontro de marginais, drogados
e outras figuras exóticas, será que naquele beco há meu fim? Será que
me encontrarei com algumas dessas figuras e me tornarei presa?
Talvez, melhor pensar nisso quando passar diante o beco.
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